Filhos do Sol e do Vento: Ciganos, os Filhos do Vento (Portuguese Edition)
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Book Details
ISBN / ASIN1496048482
ISBN-139781496048486
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Description ▲
Ãlvaro é um rapaz do campo que para ajudar a famÃlia vem para Lisboa trabalhar nas obras dum amigo do pai, empreiteiro vigarista useiro em trapaças, cheques sem cobertura e dÃvidas. Esforça-se e aprende rapidamente as artes da construção civil até que entende estar profissionalmente preparado, e começa a trabalhar por conta própria. Ao longo dos anos, porventura servindo-se de métodos pouco ortodoxos, Ãlvaro faz fortuna e torna-se num construtor dono dum enorme património. Decidido a casar-se recusa os conselhos da mãe, que gostaria de ter como nora uma mulher da sua aldeia porque no entender da velha senhora as mulheres da cidade são todas umas galdérias. Opinião diferente tem o Ãlvaro, depois de ver como as raparigas da aldeia se comportam quando não estão sob a vigilância dos familiares nas aldeias remotas. Mais tarde o seu filho Marco, arquitecto, pouco mais faz na vida que servir de moço de recados ao pai, o que o inferioriza, mas ao mesmo tempo ele próprio nota em si pouca capacidade para se livrar daquilo que o oprime. Um dia o pai manda-o a Portimão com um cheque visado de dois milhões de euros, outros dois milhões em dinheiro e uma procuração, para fazer a escritura de compra dum lote de terreno para construÃrem um grande edifÃcio. Mas um construtor antigo amigo do pai, informado do negócio e do percurso do rapaz pelo gerente do banco onde levantam o dinheiro para o pagamento do terreno, contrata três fulanos de má catadura para assaltarem o Marco. A tentativa de assalto falha, Marco sofre um acidente, fica alguns dias em coma e sofre duma profunda amnésia que o impede de se recordar de tudo quanto a sua vida tem sido ou sequer, de quem é. Acolhido por uma famÃlia cigana nómada que acredita que o ataque ao rapaz se possa dever a questões relacionadas com drogas, e que por essa razão não o entregam à polÃcia ou num hospital com medo de represálias, Marco vive com eles. Ao ritmo lento das rodas das carroças e do passo das mulas, ou sentados à noite em volta da fogueira, o rapaz vai sendo iniciado na cultura calé pelo patriarca da famÃlia, que lhe demonstra e tenta incutir a pureza dos sentimentos e hábitos calós, da sua inegociável recusa em se submeterem a algum chefe no sentido que os padjos têm de chefe, ou de se disporem a acelerar um ritmo de vida que à partida lhes serve perfeitamente para viver e realizar a sua função nesta vida, simplesmente, viver em famÃlia, sem nunca abandonar os seus, porque a vida só pode fazer sentido quando partilhada a cada momento com os nossos. Marco aprende que a verdadeira liberdade não existe nem pode prescindir da participação, do espÃrito de sacrifÃcio, e da responsabilização. De todos para todos e entre todos os elementos duma famÃlia, por sua vez a unidade primeira na cultura cigana. Neste livro, o autor tenta passar uma mensagem segundo a qual, a nossa sociedade hiper-desenvolvida(?) tem muito a reaprender com as sociedades tradicionais, verdadeiros repositórios das antigas tradições milenares, do amor pela liberdade, pela famÃlia e pelo equilÃbrio nas relações sociais, sem esquecer que a perda ou adulteração de conceitos como a responsabilidade por si mesmo e pelos seus, estão na base da destruição e negação da verdadeira felicidade. Que obviamente, apenas pode ser encontrada nas pequenas e simples coisas da vida, e sobretudo dentro de nós mesmos, se e quando estamos bem connosco e com os que são nossos. Participação, espÃrito de sacrifÃcio e responsabilização conduzem à liberdade, tanto polÃtica como social e familiar, e só em liberdade o ser humano pode atingir a plenitude da realização pessoal. Tenta o autor dar uma panorâmica ainda que reduzida mas não redutora, dos hábitos e costumes ciganos, melhor, da cultura cigana, que tem sido mantida com uma certa pureza ao longo dos mais de mil anos que dura a epopeia deste povo, vindo da região do Punjab, na Ãndia, e que desde sempre tem sido alvo de perseguições e crimes de toda a espécie, como o genocÃdio.