TaoÃsmo e Campos de Força na Poesia de Haroldo de Campos: Um investigação sobre o IndizÃvel e a fenomenologia na literatura (Portuguese Edition)
Book Details
Author(s)Ernesto de Souza Pachito
ISBN / ASIN1470081075
ISBN-139781470081072
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Description
Este não é um trabalho de Literatura Comparada, no sentido em que, aqui, não nos deteremos na riquÃssima intertextualidade haroldiana. Esta não é a personagem principal de nosso enfoque, ficaremos apenas naquelas partes de tal trama que são essenciais para o nosso objetivo, qual seja, traçarmos uma correlação entre Lógica, Ontologia e texto literário no poema de Haroldo de Campos “Poemandalaâ€, de meados da década de 70 do século XX. Também não é um estudo formal intensivo sobre a estrutura da imagem interna suscitada pelo poema, no que tange à psicologia do leitor. Igualmente não é um estudo de caracterÃsticas isomórficas comuns ao texto e a peças de arte visual “realizadasâ€, seria um tanto ingênuo de nossa parte acreditarmos, sem uma aprofunda análise, que a imaginação tem suas produções estruturadas de forma idêntica à maneira como se configuram criações plásticas visuais externas. A imagem aqui serve como ponto de apoio para a teoria que afirma sua imprescindibilidade para a formação de proposições (modo declarativo da lógica aristotélica), determinação essa que estendemos à s enunciações analógicas que, como metáforas que são, estão plenas de iconicidade. No primeiro capÃtulo expusemos as condições gerais que levaram à revolução mallarmaica – um pouco de intertextualidade – numa época em que a razão esclarecida, ou sua validade junto à s vanguardas, estava iniciando sua trajetória de descrédito. Nessa época, o fenômeno urbano parece-nos ter se caracterizado como matriz da justaposição formal utilizada pelas vanguardas em estudo – o Ideograma mallarmaico-fenollosiano – não numa relação unidirecional de “influência ambientalâ€, mas num processo dialético em que a nova percepção do ambiente urbano poderia ter sido escolhida politicamente como ready-made da forma, paradigma-trapo para a reconstrução de uma enunciação poética ligada a uma nova possibilidade de Experiência (Erfahrung, para usarmos um termo de Walter Benjamin). Em tal seção tivemos a necessidade de enfrentar o problema de localizar o gancho que nos permitiria abordar a indizibilidade: a falência do modo apofântico de enunciação como possibilidade de fazer poético original, para as estéticas modernistas – a começar com Baudelaire –, modo este comprometido, já no século XIX, com a Informação, forma de comunicação a serviço do modo de produção capitalista em sua versão pós-revolução industrial e destruidora da velha Experiência da era da narrativa, forma artesanal de relato. Ora, a Experiência, em nossa concepção, é indissociável de uma comunhão ou indiferenciação de sujeito e mundo objetivo muito própria de visões monistas de universo – e o TaoÃsmo é uma de tais visões. A diferença estanque entre sujeito e objeto, como se sabe, é um ingrediente necessário à constituição de formas reducionistas de ciência como foi o cartesianismo e o modelo newtoniano, ambos sendo braços fortes, ou antes, fundamentos, da reviravolta tecnológica que está na base da Revolução Industrial e, sem ser freudiano, do mal-estar na modernidade de Baudelaire, Daumier e outros que viveram a explosão urbana do século XIX. Na segunda seção, analisamos “Poemandalaâ€, escolhida por motivos óbvios – o poema nitidamente taoÃsta de maior fôlego escrito por Haroldo de Campos – e expusemos as bases da doutrina do Tao-Te King para, num momento posterior, serem alinhavadas com o conceito de Experiência e o monismo peirceano – afinal de contas nossa linha de pesquisa calca-se na semiótica. O termo Interpretante-esforço é uma junção da terminologia peirceana com a da Ciência dos Materiais que é um domÃnio comum da FÃsica e da Engenharia. Não tivemos medo de utilizar tal analogia, por causa de um certo tecnicismo nela latente, pelas próprias caracterÃsticas do Estruturalismo-versão-Noigandres, aquele praticado por tal grupo, pelo menos até a década de 60, tanto na fase concretista como na espacial-mallarmaica do movimento. Lembremos todos que isto é um começo.
