Fábio Braga é nacionalmente reconhecido por suas obras reunindo versos e prosas em contextos diversos. A sua maneira multilinguÃstica de escrever o torna um autor diferenciado. A sua marca registrada consiste em não repetir as mesmas formas de linguagem, muito comum à maioria dos escritores.
A poesia Pérola Rara é uma nÃtida homenagem ao homem trabalhador. O herói da sua amada. Aquele cidadão que enfrenta as turbulências tanto econômicas como sociais e no final se sai vitorioso, contando sempre com as forças superiores, que são a pilastra de sua existência.
PÉROLA RARA
Vela, tão bela; brava galera; navega e navega
pra baixo e pra cima, pra todos os lados, qual pérola rara
sobre o mar revolto, mar de labirinto, mar da maldade
Tremula e tremula em ritmo de aventura,
ao sopro dos deuses, à força das brisas, à ira dos raios
e das tempestades
como quem labuta exclusivamente
por um pedaço de céu azul ensolarado
Veleiro veleja, sem remo e sem rumo, intercepta cometas
pegando carona no cume das ondas
que vão e que vêm
ao som das trombetas, a favor da sorte,
ao sabor de ninguém
Ancora na terra, no porto seguro,
o farol é a sereia, uma luz à distância
brilhando e brilhando
qual estrela-guia
dando boas-vindas
à nau da sua vida, ao herói do oceano
Brinda Netuno, brinda Iemanjá
a volta à Atlântida, ao lar, doce lar,
não mais a regata com ar de procela,
somente a lembrança de que foi o primeiro
de todos os barcos
a sair da areia de seus próprios castelos
Navegou, navegou na mão de Posêidon, na bênção das vagas,
no branco das velas, porque branco é a paz, a paz de espÃrito
sem a qual não se veleja, sem a qual não se navega
Três da Manhã é uma poesia voltada ao ser boêmio. Com todas as letras este texto é fiel a um cotidiano de brasileiro casado, mas que não aceita perder a sua liberdade de solteiro, preso aos cabrestos do casamento. O que causa a frustração de muitas esposas.
TRÊS DA MANHÃ
Um copo na mesa
um ar de tristeza
um barco no mar
um porto distante
uma sombra a vagar
um vulto na janela
uma mulher em casa
um homem no bar
Duas cervejas
duas cabeças
dois corações
dois universos
duas riquezas
duas ruÃnas
duas dúvidas
duas soluções
Três da manhã
três clientes a sair
três chaves de ignições
três partidas sem destino
três amigos
três ilusões
três doses de whisky
três de conhaque
três de vinho
Motins é uma poesia curta mas forte, que demonstra o quanto o amor às vezes não é correspondido, e as consequências dessa desilusão
MOTINS
Eu egoÃsta, eu me devoro
o eu que a ti implora, por que optaste por mim?
por que justo por mim dentre tantos iguais?
ignoras o eu que sou ou o eu que fui, mesmo tendo sido eu e não outro o provedor desses desdéns entre nós
Eu me amo apesar de mim e creio ser honesto o eu te amo que há por ti ou o eu te amei de tantas horas
tu vens declarando o teu amor por mim e eu entendo a dor que há em si
e, sem a mim, tu vais vivendo nos festivos ais e uis a sós, tu vais morrendo no eu que te explora vais renascendo nos motins de nós