Lênin nos subterrâneos do Conic (Portuguese Edition)
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Book Details
Author(s)Ezio Flavio Bazzo
ISBN / ASIN149754212X
ISBN-139781497542129
AvailabilityUsually ships in 24 hours
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MarketplaceUnited States 🇺🇸
Description ▲
O ilustre professor & doutor em letras que convidei para apresentar este livro, desculpou-se e sumiu do mapa. Disse-me por telefone, à s pressas e em brevÃssimas palavras, que não poderia assumir tal compromisso porque 1°- não dispunha de tempo e 2° ¬porque tinha sérias restrições ao texto. Tudo bem! Nada de grave! Pois eu, mais do que qualquer outro, tenho a obrigação de saber quanto o tempo é uma coisa particularmente sagrada e com que magnitude as nossas restrições (entenda-se sempre limitações) estão ancoradas no cerne tenebroso, ameaçador e inconsciente de nossos umbigos. E depois, pensando bem, aqui entre nós, apresentar o quê? Dizer o quê de algo que já está feito? Bulas... bulas... bulas... Com raras, rarÃssimas exceções, tudo é apenas babaquice, apenas vaidade, apenas um truque para envolver outros e outras em nossos próprios gargarejos e delÃrios... Uma troca quase perversa de favores, de elogios, de pontuações ora graves, ora meigas, ora até com sem¬vergonhices... e tudo, poderÃamos dizer, de uma inexorável crueldade contra aquele que lê, contra aquele que não consegue dormir sem antes passar os olhos por cinco ou seis páginas. Sim, tudo contra o leitor, contra esse personagem obscuro, ainda não suficientemente decifrado, que acabará, como quase sempre, por comprar merda achando que comprou caviar... Bétel. Foi aqui na cidade de Benares, neste fim de mundo surrealista, sentado ao lado do Ganges, no meio de toda essa mendigada esotérica, que entendi, por primeira vez, o quanto os livros e a literatura em geral se parecem ao bétel, essa mistura de ervas aromáticas, tabaco e areca que os indianos, homens e mulheres, mascam, mascam, mascam obsessivamente para depois cuspÃ-la em qualquer lugar... O cuspe vermelho, decora as paredes, as calçadas, a terra batida das veredas... E foi também aqui, neste paÃs alucinado que, por primeira vez, se fez uso do extrato de Rauwolfia serpentina, um alcalóide sedativo (reserpina) que hoje os psiquiatras ocidentais usam para serenar seus psicóticos e seus esquizofrênicos... No lado externo do muro que parece um estábulo, um grafite em francês: [Rien n'est vrai que l'unique et morne Etemité:/O Brahma! Toute chose est le rêve d'un rêve].