Os Grapiunas (Portuguese Edition)
Book Details
Author(s)Olympio Ramos
ISBN / ASIN1492242543
ISBN-139781492242543
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Description
O mulato João Vicente, um grapiúna, ao chegar a São Paulo, espanta-se com o tamanho e agitação da cidade grande. A partir daÃ, o autor traça um paralelo através das memórias de seu personagem entre a cidade e o cotidiano do campo, mais precisamente nas roças de cacau onde até então vivera João Vicente. Até o décimo primeiro capitulo, quando se encerra a primeira parte do livro, o mulato João Vicente oscila em suas memórias entre a cidade grande e as lembranças do dia a dia de suas experiências na vida do interior. A partir do décimo segundo capÃtulo, segunda e ultima parte do livro, as memórias fixam-se em definitivo na região grapiúna, conforme palavras do narrador: “As lembranças vieram-lhe à mente; definitivas. João Vicente deu um mergulho de vez no passadoâ€. A essa altura a história toma forma linear; objetiva, clara; explora a luta pela emancipação de um municÃpio, a substituição do nome de um vilarejo e a ascensão polÃtica do protagonista, o vereador Afonso, e seu antagonismo em relação ao coronel Gonçalves, poderoso dono das terras do Vilarejo de São João do Panelinha e inúmeras fazendas da região. Os Grapiúnas têm como pano de fundo a luta pela posse das terras do cacau, mola mestra da economia da região, da qual, segundo o narrador, todos são dependentes. Observe-se trecho do primeiro capÃtulo: “o cacau era a mola propulsora da riqueza e do progresso da região. Dele dependia o filho do coronel para concluir o curso superior, a pós-graduação no Rio de Janeiro, São Paulo ou Paris. Era-lhe também dependente a humilde lavadeira para receber seus soldos dos coronéis do cacauâ€. “As doces meretrizes, os bêbados, os jogadores. Todos, sem exceção careciam dele para sobreviver naquela terra brutaâ€. “Os poetas, os trovadores, cantavam-no em verso e prosa, como Jorge Amado, o maior de seus romancistasâ€. É lÃrico Olympio Ramos: “Lá fora era belo o dia; a passarada chilreava alegre, uma sinfonia! O vento norte soprava manso...â€. A narrativa é bem humorada: “Acaso alguém se atreva a pensar que o pai d’égua aqui não fala a verdade, vou logo exigindo respeito porque não sou homem de pouca mentira...â€. Quem é Olympio Ramos: Esse grapiúna, nascido em Camacan, cidade situada à cerca de oitenta quilômetros de Itabuna, terra de Jorge Amado, estréia tardiamente no mundo literário, aos quarenta e sete anos, trazendo-nos à luz seu primeiro romance, Os Grapiúnas. Olympio Ramos até os dezenove anos viveu e vivenciou a dura labuta do peão nas roças de cacau. Dessas experiências ele nos traz argumentos para compor os personagens e as situações em seu primeiro romance. Se o escritor se revela tardiamente nas letras, isto é o que menos importa; antes tarde do que nunca! Esperamos ver Os Grapiúnas botar o pé na estrada, atravessar o além-mar, correr mundo. Mostrar aos amantes da boa literatura o lirismo da prosa de Olympio Ramos.
