Alfinetes de Prismas - a poesia que todos gostariam de ler (Portuguese Edition)
Description
Fábio Braga de Alencar, uma das maiores revelações da literatura brasileira, criou uma forma de escrever poesia diferente. Em vez de empregar rimas convencionais em todos os textos, preferiu inovar. Explora as mais diversas linhas de linguagem para expressar os seus versos e prosas. Um autor realmente revolucionário.Daqueles que nos fazem refletir sobre a vida a todo momento.
CAMPINAS, MINHA INFÂNCIA
O bonde de Campinas ia rua abaixo, rua acima
transportando para o futuro campineiros e campineiras de origem portuguesa, italiana, africana ou indÃgena
brasileiros e brasileiras numa voragem de progresso contÃnua
Nuvens de andorinhas dispersas acompanham do alto a rotina das saúvas operárias no oeste de São Paulo prédios marcham sobre as colinas do verde do planalto
o largo do rosário, no centro em vésperas de natais, via-se pai e mãe em correria, no entra e sai das lojas, tudo para atender crianças chorando
querendo ganhar presente
Uns iam às C a s a s R e g e n t e somente para se refrescar no ar condicionado ou para subir na escada rolante, e no primeiro andar se deliciar com sorvete na taça outros invadiam o F a c c a’s b a r para saborear um chopp gelado, o melhor da cidade
Anos sessenta de carnavais de rua e de clube
Campinas se pintava com as cores dos confetes e serpentinas lançados nas calçadas pelos foliões exaltados
as marchinhas tocando ‘máscara negra’ faziam a moça e o moço tirarem a fantasia e em público se beijarem
O castelinho era uma torre erguida, que funcionava como lanchonete e pizzaria e atraÃa boa parte da população por causa da sua vista panorâmica de onde dava pra ver o Liceu e as belas residências
O estádio do bugre bem pertinho do da macaca em dias de dérbi aos domingos
alvi-verdes e alvi-negros acordavam a Campinas sonolenta da fadiga do trabalho semanal
Antonio Carlos Gomes, que compôs ‘O Guarany’ é lembrado numa praça que leva o seu nome e o seu busto de campineiro imortal
A lagoa do Taquaral
um cartão postal aos visitantes, rodeada de bares e restaurantes, se sacramentou como o point dos casais de namorados
Foi em Campinas que eu vi o Brasil ser tri
a televisão ser em cores
o homem pisar na lua e E m e r s o n F i t t i p a l d i
campeão da fórmula um
As pipas e os balões que eu soltei nos céus de Campinas
assim como a infância
não voltam para as minhas mãos jamais
ELA
Chispe ao lorde, diva
ninfa, a corte é eterna, herde o lote e luxe
julgue a morte cega
Viva a esfera plácida
não sinta o horror da cerca, ganhe a asa etérea e voe além dessa fronteira
Lisa, desça a serra
mova o lustre zuarte
livre o escorpião da pele a ser poupada
Trinque o pote sujo
junte-se ao nazareno, justas são as coisas em dado momento
Plugue a estrela-d’alva ao horto que semeia
alugue o inexplorável
guarde a sua realeza
Siga um zimbório inflável, suba a rampa ao vértice e volte-se aos que ficaram lamentando a sua ausência
DOR
Quando não se quer morrer nem viver
como quem não saiba o que deva sentir
vive-se para viver ou para não se ter de morrer
fecham-se os olhos no sentido de não se ver ou para que se vejam sem sentir o que não se queira crer
Se a voz se cala, o corpo congela, os pensamentos paralisam no tempo
nem o mormaço nem o vento, somente os nervos de aço corroendo por dentro
Não se sabe se a hora é de ficar ou partir
pensar ou agir
quando nada mais interessa, para que a pressa?
Se a esperança é a primeira a morrer
a dor da saudade torna a ferir, e o fio da navalha a socorrer
CAMPINAS, MINHA INFÂNCIA
O bonde de Campinas ia rua abaixo, rua acima
transportando para o futuro campineiros e campineiras de origem portuguesa, italiana, africana ou indÃgena
brasileiros e brasileiras numa voragem de progresso contÃnua
Nuvens de andorinhas dispersas acompanham do alto a rotina das saúvas operárias no oeste de São Paulo prédios marcham sobre as colinas do verde do planalto
o largo do rosário, no centro em vésperas de natais, via-se pai e mãe em correria, no entra e sai das lojas, tudo para atender crianças chorando
querendo ganhar presente
Uns iam às C a s a s R e g e n t e somente para se refrescar no ar condicionado ou para subir na escada rolante, e no primeiro andar se deliciar com sorvete na taça outros invadiam o F a c c a’s b a r para saborear um chopp gelado, o melhor da cidade
Anos sessenta de carnavais de rua e de clube
Campinas se pintava com as cores dos confetes e serpentinas lançados nas calçadas pelos foliões exaltados
as marchinhas tocando ‘máscara negra’ faziam a moça e o moço tirarem a fantasia e em público se beijarem
O castelinho era uma torre erguida, que funcionava como lanchonete e pizzaria e atraÃa boa parte da população por causa da sua vista panorâmica de onde dava pra ver o Liceu e as belas residências
O estádio do bugre bem pertinho do da macaca em dias de dérbi aos domingos
alvi-verdes e alvi-negros acordavam a Campinas sonolenta da fadiga do trabalho semanal
Antonio Carlos Gomes, que compôs ‘O Guarany’ é lembrado numa praça que leva o seu nome e o seu busto de campineiro imortal
A lagoa do Taquaral
um cartão postal aos visitantes, rodeada de bares e restaurantes, se sacramentou como o point dos casais de namorados
Foi em Campinas que eu vi o Brasil ser tri
a televisão ser em cores
o homem pisar na lua e E m e r s o n F i t t i p a l d i
campeão da fórmula um
As pipas e os balões que eu soltei nos céus de Campinas
assim como a infância
não voltam para as minhas mãos jamais
ELA
Chispe ao lorde, diva
ninfa, a corte é eterna, herde o lote e luxe
julgue a morte cega
Viva a esfera plácida
não sinta o horror da cerca, ganhe a asa etérea e voe além dessa fronteira
Lisa, desça a serra
mova o lustre zuarte
livre o escorpião da pele a ser poupada
Trinque o pote sujo
junte-se ao nazareno, justas são as coisas em dado momento
Plugue a estrela-d’alva ao horto que semeia
alugue o inexplorável
guarde a sua realeza
Siga um zimbório inflável, suba a rampa ao vértice e volte-se aos que ficaram lamentando a sua ausência
DOR
Quando não se quer morrer nem viver
como quem não saiba o que deva sentir
vive-se para viver ou para não se ter de morrer
fecham-se os olhos no sentido de não se ver ou para que se vejam sem sentir o que não se queira crer
Se a voz se cala, o corpo congela, os pensamentos paralisam no tempo
nem o mormaço nem o vento, somente os nervos de aço corroendo por dentro
Não se sabe se a hora é de ficar ou partir
pensar ou agir
quando nada mais interessa, para que a pressa?
Se a esperança é a primeira a morrer
a dor da saudade torna a ferir, e o fio da navalha a socorrer
